Lavagem Cerebral

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O termo lavagem cerebral (do inglês, brainwashing) foi usado pela primeira vez pelo escritor e jornalista americano Edward Hunter, em 1950, para criticar a ditadura chinesa. Lavagem cerebral consiste em forçar alguém a acreditar em algo, dizendo repetidamente a esta pessoa que aquilo é a verdade e, principalmente, impedindo que qualquer outra informação a alcance. Com as mídias sociais e grupos de WhatsApp que reúnem pessoas com o mesmo pensamento, não é difícil de imaginar a facilidade de manipular um determinado tema.
Existem, para isto, técnicas psicológicas de reeducação mental persuasiva, que diminuem a habilidade dos sujeitos de pensar criticamente ou independentemente, mudando suas atitudes, valores e crenças. Não se assuste se aquele seu colega médico, ou cientista, começar a acreditar em notícias fakes-science!
Aliás, o tema em questão se confunde com o chamado menticídio, que seria uma sistemática e intencional destruição da mente individual ou coletiva (das massas), com a finalidade de domínio, instilando-se a dúvida, subvertendo-se as ideias e as atitudes ditas normais, ou esperadas. Por exemplo, um país com grande tradição vacinal como o Brasil, de repente, passa a ter um contingente inexplicável de antivacinas!
Historicamente, são vários os exemplos de aculturação de povos primitivos, feitos, geralmente, pelos colonizadores – exploradores vorazes de suas riquezas naturais – por sugestões, treinamentos e novos hábitos culturais. Regimes autocráticos e com uma forte presença do Estado, como foram o fascismo italiano e o nazi-fascismo alemão, nos mostram claramente o processo. Hitler aliciava os jovens a partir dos 10 anos de idade! Sinceramente, sem uma lavagem cerebral bem feita, ninguém jamais iria para a guerra. Morrer de graça a troco de quê?! Odiar os judeus por quê?
Movimentos religiosos e políticos, sem sentido à luz da razão, podem ser em parte explicados pela lavagem cerebral, onde a insistência e a crença em dogmas doutrinam grupos de pessoas a seguirem um líder ou uma ideologia. Por exemplo, Jesus Cristo nunca pediria aos cristãos para comprarem armas de fogo!
E por aí caminha a humanidade! Pensamento crítico e luz são sempre bem-vindos. Parafraseando José Saramago: onde não se pode ver, a responsabilidade maior é a de quem enxerga.


Rogério de Almeida Tárcia, médico em Belo Horizonte, MG.

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